domingo, 30 de janeiro de 2011
Casamento gay será aprovado em fevereiro. E é no Brasil. Dilma apóia. Entenda o caso e compre sua aliança!
De forma discreta, quase silenciosa, tramita no Supremo Tribunal Federal, o órgão máximo do poder judiciário brasileiro, um processo movido pelo governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral que pede mudanças na lei do casamento para que homossexuais também possam se casar judicialmente. O pedido do governador foi feito em 2008 e é simples: ele pede que os funcionários homossexuais do Estado do Rio possam se casar para que lhes sejam equiparados direitos dados a casais heterossexuais (pensão, previdência, auxílio moradia, financiamentos especiais...). Ao propor tal processo, Sergio Cabral sabia que caso o Supremo aprovasse seu pedido, automaticamente TODOS os brasileiros gozariam da decisão, já que decisões do Supremo são válidas para todo território nacional sem possibilidade de recurso. O pedido está em fase final de conclusão e será votado em plenário no mês de fevereiro. E, melhor de tudo, a chance de ele ser aprovado é enorme.
Tudo muito bem explicadinho
O relator do processo é o ministro Carlos Ayres Britto. Ele está finalizando sua justificativa, que terá 32 páginas, sobre o assunto, em suas férias. Sua justificativa será apresentada aos outros ministros do Supremo em fevereiro próximo, assim que as férias da Corte terminar. O texto do Ministro deve ser FAVORÁVEL ao casamento gay. É esta informação que corre nos corredores do Supremo. Se essa informação se confirmar, no texto que o ministro redige atualmente ele irá expor os motivos pelos quais acredita que o casamento gay deva ser permitido no Brasil.
É o voto dos outros ministros que decidirá se o casamento passará a ser permitido ou não no país _o voto do Ministro Carlos vale tanto quanto cada um dos outros votantes. Ok, mas vários dos outros dez ministros do Supremo já se posicionaram a favor da matéria em outras ocasiões, como a Ministra Ellen Grace. Além disso, o próprio Ministro Carlos Ayres Britto, conhecido por sua discrição, deixou sub-entendido que o casamento tem grandes chances de ser aprovado no Supremo, já que em decisões recentes e isoladas o Tribunal sinalizou ser favorável à causa. "É um caso em que não tenho prognóstico. Quem sabe teremos uma bela surpresa?”, disse Carlos sobre o assunto.
É práxis entre os Ministros não darem entrevistas sobre processos ainda não votados, como é o caso. O que Carlos diz com essa frase faz alusão a dezenas de Tribunais regionais de primeira e segunda instância espalhados pelo país que já permitiram que homossexuais se casassem. Há decisões do tipo em praticamente todos os estados do Brasil, em especial nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Essas decisões todas são levadas em conta na decisão dos Ministros do Supremo.
Carlos Ayres Britto disse ainda que “se a tese _do casamento gay_ for consagrada, pega todo mundo”. Isso significa que caso o STF julgue procedente o pedido do governador do Rio de Janeiro, eu, você e todos nós poderemos nos casar.
Presidência a favor
Nos bastidores do Supremo a aposta é que a maioria dos ministros siga esse entendimento. E tem mais: o Planalto deu um jeitinho de mostrar-se favorável ao tema: a Advocacia Geral da União, que é montada pela presidência, encaminhou parecer ao STF defendendo a posição do governo FAVORÁVEL ao reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo. O texto oficial enviado pelo Planalto aos Ministros lembra que a Constituição protege a dignidade da pessoa humana, a privacidade, a intimidade, e proíbe qualquer forma de discriminação. O texto foi enviado em 2009, com Lula presidente. Mas o parecer da AGU que defende a união gay não foi recolhida pela nova direção da Advocacia Geral da União, agora sob comando de Dilma.
Vale lembrar, ainda, que o Supremo Tribunal Federal não cede à pressão de nenhuma corrente pública _nem de evangélicos, nem de católicos, nem de grupos gays. As decisões da Corte são técnicas e constitucionais. Isso significa que os grupos contrários ao casamento gay podem espernear a vontade, de nada adiantará.
Fonte: http://mixbrasil.uol.com.br/pride
domingo, 5 de dezembro de 2010
Carta de uma homossexual para outra.
Para você, com todo o carinho do mundo.
É que eu sei quem você é. Eu sei de que matéria você é feita. Eu sei dos seus conflitos. Eu sei do seu choro. Do seu sorriso escondido: trancafiado como um tesouro proibido.
Eu sei da sua beleza e sei do seu medo.
Entenda: eu também sou você.
Por isso, quando você está aí, como agora, em busca de uma palavra amiga, em busca de uma luz, de um colo, de alguém que lhe abrace apertado e lhe diga “Não se preocupe, tudo vai dar certo, você vai ver!”, eu sei exatamente o que você sente.
Eu sei dos dias solitários.
Eu sei da sua divisão em duas pessoas: a pessoa que você tem que ser; e a pessoa que você gostaria de ser.
Eu sei dos dias em que você acorda querendo mandar o mundo ao inferno.
Eu sei o que você sente quando você vê na rua um homem e uma mulher de mãos dadas a se beijarem.
Eu sei o que você sente quando falam para você sobre casamento e filhos.
Eu sei o que acontece por dentro contigo quando tua família quer saber por que você não namora faz tempo.
Eu sei até da vontade amarga que você sente às vezes de que você fosse igual a todos.
Eu sei do medo da rejeição. Eu sei do pavor de perder aqueles que você mais ama.
Eu sei do abismo que existe, agora, entre você e seus pais.
Eu sei o tanto de tempo que leva para que você consiga olhar no espelho e sorrir por ser como você é.
Eu dos tantos e tantos curativos internos que você que você teve que fazer sem que ninguém te ajudasse.
Eu sei das lágrimas escondidas.
Do choro abafado.
Dos gritos internos.
Eu sei sobre o desespero.
Eu sei sobre a raiva.
Eu sei sobre a vontade mais simples do mundo: de encontrar alguém que te ame como você é; que te permita amar e ser amada; que te deixe ser quem você é. Que te dê forças para enfrentar o mundo; que te dê guarida dessa sociedade assustadora que não entende nada.
Eu sei das tuas dúvidas. Das tantas e tantas perguntas que habitam dentro de ti.
E que também muitas vezes não há ninguém para quem perguntá-las.
É: não é fácil, eu sei.
Mas eu por saber tudo isso, é que eu também sei que você é forte.
Que você pode sim agüentar tudo isso.
Que você, diferente dos ditos ‘normais’, cresce de dentro para fora.
Por isso, se deixe crescer.
Acredite: Haverá um dia em que você será maior do que tudo isso.
E nada disso poderá mais te causar dor.
Se não há um colo agora, se não há uma palavra amiga, se o medo é maior do que tudo: querida, eu te peço, seja absolutamente incrível com você mesma.
Seja a sua melhor amiga.
Encontre bons livros que te façam companhia.
Escute músicas que te acalentam a alma.
Assista filmes que te façam ver sempre as belezas da vida.
ACREDITE NA SUA FORÇA.
Não deixe que a incompreensão da sua família e do mundo te amargure.
Não deixe que o medo e o pavor te façam esquecer-se de quem você é.
Não cale nunca a sua voz interna: ela é teu abraço constante: ela é teu sorriso escondido.
E quando você se olhar no espelho, saiba que você está olhando para uma guerreira.
Saiba que você carrega um fardo que muitos dos ditos ‘normais’ não agüentariam.
Se orgulhe de você: porque você consegue enxergar o amor em todas as formas que ele existe.
E se lembre sempre que existem tantos outros no mundo como você, como eu: sentindo as mesmas dores e conflitos. Desejando apenas que lhe permitam ser quem são.
Você não está sozinha querida.
E o que eu te peço agora, é que você se sinta abraçada.
É que você saiba que existem pessoas-anjos por aí que vão nos ajudando ao longo do caminho.
Que você acredite que vamos encontrando pessoas que são um pouco pais, um pouco irmãos, um pouco amigos e que suprem o que muitas vezes não conseguimos encontrar em casa.
Lembra da sua voz interna? Aquela que você não pode calar nunca?
Ela tem uma tarefa: a de se tornar cada vez mais forte e mais alta.
A de ser, um dia, tão forte, que comece a falar mais alto do que os seus medos.
Acredite: eu sei quem você é.
E por isso mesmo, acredito em você.
E lhe digo: você consegue sim.
Ache a sua paz. Você a merece.
E deixe que o seu sorriso visite sempre os seus lábios.
Você é linda exatamente como é.
E não há nada de errado com você.
Eu estou do seu lado.
E sou um pouco você.
E juntas, mesmo que você esteja aí e eu aqui, conseguiremos sim vencer o mundo.
Só preciso que você saiba que você não está lutando essa guerra sozinha.
Por isso seja forte e erga sua cabeça.
Preciso de você lutando por você mesma.
Quando uma de nós sorri, a vitória é de todas.
Você ainda tem uma vida pela frente.
Por isso sonhe os seus sonhos e alimente-se inteiramente de quem você é.
Seja feliz: você deve isso a você mesma.
sábado, 18 de setembro de 2010
A UFF DECIDIU QUE NÓS NÃO VAMOS PAGAR NADA!
Como fez parte da reformulação do Estatuto – processo que já se prolonga há 12 anos, e decidiu levar as divergências à voto da comunidade – a decisão era entre duas propostas de texto, um elaborado pela Comissão Estatuinte que previa a gratuidade do ensino em todos os níves e sob responsabilidade da União; e outro apresentado pela Comissão de Sistematização do Conselho Universitário, que garantia a gratuidade apenas para os cursos de graduação e pós graduação scrito sensu, excluindo dessa forma as pós lato sensu. O plebiscito movimentou a universidade: muitos estudantes, professores e servidores usaram adesivos pela gratuidade, com o porquinho rosa que se tornou o mascote da campanha, e colaboraram divulgando através de redes sociais como o twitter. O pleito teve um total de 13.248 votos válidos – mais que a última eleição para reitor -, o resultado das urnas, apuradas durante todo o dia 4 de setembro na quadra da Faculdade de Direito, apenas comprovou o que clima já indicava: com 86,7% dos votos no Sim, a comunidade acadêmica decidiu por uma UFF 100% gratuita.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Minhas Militâncias
Sou pertencente a um grupo de oposição à atual gestão da UNE e somos de esquerda (embora muitas pessoas do coletivo sejam vinculadas ao PSOL, o PSOL não está necessariamente vinculado ao coletivo).Nosso nome é LEVANTE, e somos um coletivo nacional de estudantes de diversas universidades, tanto públicas quanto particulares, espalhados de norte a sul no nosso país.
Também faço parte de um grupo de menor abrangência, mas de igual importância, o Liberdade Lilás, que é essencialmente feminista, sem ser discriminatório ou sectarista.Bem como o Grupo Diversitas, que luta principalmente (e não exclusivamente, como muitos pensam) pela questão da liberdade sexual dentro e fora dos espaços universitários.
Faço parte desses grupos há um ano e meio, quando ainda cursava Odontologia, no campus de Nova Friburgo, pela UFF também.
Agora eu faço Ciências Sociais, na UFF, em Niterói.Também trabalho como vendedora, no Norte Shopping.Estou muito sem tempo pra permanecer militando, indo a reuniões, dando opiniões (mesmo que via e-mails) e orientando e direcionando o pessoal de Friburgo quanto à sua organização politico-social por lá.Hoje o meu acompanhamento é mais virtual mesmo, ligando, mandando mensagens, conversando no msn, etc.
Mas meus ideias continuam os mesmos.Minhas concepções de fato/realidade e sonho continuam as mesmas.Continuo achando que os SONHOS NÃO ENVELHECEM e que sonho que se sonha junto vira realidade sim, porque se tivermos forças pra fazer um LEVANTE nas nossas vidas, podemos mudar os rumos da política atual, fazer com que sejamos tratados com dignidade e decência pelos parlamentares, dentre outras coisas, como ÉTICA, que parece ter sido esquecida por muitos lá dentro.
Continuo acreditando em mim, nos meus amigos, nos jovens universitários, e na nossa força.Quando nos juntamos em prol de um único objetivo, sempre conseguimos o que queremos.
Tenho orgulho de dizer que faço parte da corrente idealista e preocupada com o futuro desse país.Tenho orgulho de saber que ainda existe algum contingente jovem nesse mundo preocupado em saber que rumos a nação está tomando.Tenho verdadeira paixão por discutir - com a devida seriedade, propriedade e respeito - a minha concepção ideológica com os jovens que fazem parte de outras correntes.
Mas, existe outro lado.
O lado dos oportunistas, dos incautos e dos acomodados.O lado dos que só querem viajar e discutir por discutir.O lado dos que não estão nem aí pros ideais e pra política do Brasil, daqueles que não vêem com bons olhos a militância estudantil.Os hipócritas, os conservadores tacanhos que estão escondidos nas universidades, lutando pra fazer o bolo crescer mas não pra repartí-lo para todos, e sim para uma das partes.São os jovens da direita/extrema direita, que não são filhos de Renan Calheiros nem nada tão "garboso" quanto isso, mas defendem coisas exclusivistas e sectárias, sendo pequeno-burgueses (ou até mesmo burgueses capitalistas selvagens mesmo, o que não faz a menor diferença, nesse caso), é ainda assim ridículo defender a supressão de um grupo de seres humanos em prol de uma meia dúzia muito rica.
Mas, desde que eu começei a trabalhar no Shopping, que é um ambiente consumista ao extremo, percebi que as coisas não são tão bonitas como eu gostaria que fossem.
Existem os ideais, a vida universitária e a realidade da vida cotidiana, rotineira.E, se na universidade as coisas são complicadas, na vida fora dela, é como se tudo fosse multiplicado por dois ou mais.
O preconceito é maior, as distâncias entre as classes sociais são muito maiores, o culto ao corpo e a beleza, a importância do ter em detrimento do ser, a vida de aparências, a banalização do amor e a coisificação da mulher dão a exata dimensão do que ocorre dentro do ambiente universitário, mas em grandes proporções.
Como se nós fôssemos uma amostra do que está por vir na vida real, como um BBB sem câmeras e sem áudio, um laboratório da vida "adulta" de verdade.
E é triste ter que me calar e me submeter a todas as coisas que eu penso e acredito serem inaceitáveis, como a exploração do trabalhador, o abismo entre as classes sociais, o apoio ao capitalismo através do estímulo ao consumo, mas eu preciso me sustentar.
O pior é que um amigo que trabalhava em uma ONG, e que completou sua graduação em História pela UFRJ a pouco tempo, entrou lá porque acreditou que faria a diferença, e que tudo seria diferente, acabou saindo porque viu que nem mesmo uma instituição que supostamente deveria cuidar/auxiliar um determinado grupo estava de fato preocupada com isso.Sempre tem um interesse maior por trás.
E aí eu penso e repenso e fico triste de tirar das minhas conclusões o pior dos diagnósticos pra sociedade: o ser humano é NATURALMENTE hedonista.Não tem nada a ver com capitalismo ou qualquer coisa que o valha, tem a ver com o que é que nos deixa, enquanto indivíduos, melhor do que os demais.Onde está o nosso diferencial, nossa identificação.Dormimos e acordamos querendo nos destacar, ser melhor, mas temos a necessidade incrível de entrar na moda e seguir a tendência ditada por uma pessoa só, apenas porque tem um monte de gente fazendo a mesma coisa.
É ruim ver as minhas convicções abaladas pela pancada da realidade, da vida como ela é, sem rodeios e floreios, mas há esperança, e é importante que se acredite.
Pelo menos eu continuo militando, até onde tiver forças.Até que me levem a credibilidade, a ética e a minha dignidade abaixo da minha honra, coragem e auto-estuima.
Na próxima postagem coloco um texto de um companheiro do LEVANTE da UFC, que cursa psicologia, Pedrinho, que tive a felicidade de conhecer e conversar no 51º CONUNE.
E até a próxima.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Final de semana
Batalhei muito pro acontecimento do pré-encontro, da conscientização da galera e acabei me surpreendendo com o resultado: foram em torno de 50 pessoas pra lá.
Ia ficar em casa de molho, me lamentando por ter deixado passar o final de semana q me empolgou, preocupou e consumiu por 2 meses.Mas com saúde não se brinca, tive que me segurar em casa.
Em compensação, acabei saindo com minha namorada e um grupo de amigos em comum.
E foi bom, no geral.
As vezes me espanto com meu poder de síntese, mas realmente não aconteceu nada de tão incrível pra ser descrito aqui.
Fomos a 14ª Parada LGBT do Rio de Janeiro, que começou oficialmente as 15:00h do dia 01/11, em Copacabana, no posto 6 e tinha como percurso ir até o posto 2.
Apesar da chuva, encheu bastante e, em comparacão às outras paradas, teve uma novidade: uma "comissão de frente" e um trio elétrico com vários representantes de várias religiões.
Achei interessante terem tocado nesse assunto, já que parece um tabu até mesmo pra nós discutirmos essas questões religiosas.Atualmente a perspectiva de respeito, compaixão, solidariedade e aceitação tem melhorado consideravelmente, mas ainda há muito a ser feito.O fato de ter a presença de líderes religiosos diversos na Parada Gay foi um avanço enorme.
Falanado em avanço, fiquei muito feliz de saber que o Ministro Carlos Minc, o Governador Sergio Cabral e o Prefeito Eduardo Paes estavam por lá, oferecendo apoio e aderindo a nossa causa.
Não gosto do Sergio Cabral politicamente, mas tenho que admitir que na causa gay pelo menos, desde sempre, ele foi muito engajado (ou pelo menos finge muito bem).
O discurso do Eduardo Paes (outro que não gosto) foi um tanto capitalista e "guetista", quando ele disse que o turismo gay era muito importante pra cidade do Rio, porque todos os hotéis da zona sul estavam lotados.Mas reconheço que esse tipo de apoio político confere maior densidade e seriedade a esse tipo de movimento, coisa aliás que eu não via há algum tempo.
Parece-me que essa parada foi especialmente politizada e teve seus pontos positivos.
O próprio Eduardo Paes disse que quer/vai abrir uma superintendência para assuntos homossexuais na Prefeitura pra diminuir os casos de agressões e manifestações de homofobia em geral.
Achei válido, mas não sei se vai realmente acontecer.
Em todo caso, pelo menos eu não perdi o final de semana.
Consegui sair no domingo, tive uma ótima tarde e ainda namorei um pouquinho.
O chato foi ter que voltar a realidade da Odontologia em Nova Friburgo logo depois do feriado.
Quem sabe isso passa um dia?
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Pensando alto
A vida é uma só, bem como nossas escolhas.
Não dá pra prever nada e também ficar se lamentando é perda de tempo.
A gente tem que pensar nagente primeiro, se aceitar, e ficar bem com nós mesmos é uma dificuldade tremenda.
Mas depois que isso acontece (o que eu considero o básico da vida), já foi tomada a decisão de sermos felizes, não importa como.
Tem gente que cai na ilicitude e acha que isso resolve os seus problemas.Uma pena, porque nenhuma dessas pessoas tem uma vida tranquila, e a maioria não vive por muito tempo.
Tem gente que apenas se deu conta que não precisa ser do jeito que a sociedade espera, que a família gostaria, que os amigos preferem, mas que apenas deve ser da melhor maneira possível pra se confortar com seu ego (ou alter-ego, ou eu interior, sei lá...isso fica pra galera de psicologia).
Por que falo isso?
Porque nessa semana última minha sexualidade foi questionada (até aí, nenhuma novidade), mas de uma forma que eu nunca tinha escutado.Me perguntaram "se você pudesse mudar o que vc é, lésbica, você mudaria?"
Fiquei pensando em várias respostas, mas variavam entre sim e não.
Sim, porque a vida de homossexuais, travestis, bissexuais, trangêneros, é repleta de preconceito, rótulos, marginalização por uma sociedade essencialmente machista e homofóbica, e o pior preconceito social não é nas ruas, nas faculdades e nem no trabalho, é aquele que acontece dentro de casa, com a família.
Sim, porque seria muito mais fácil e aceitável viver assim.
Pense só: se você fosse uma coisa que te condenasse a olhares tortos pels ruas, a não compreensão dos seus pais, e em alguns casos a negação do amor deles por você, logo você que é filh@, fruto daquelas pessoas que você ama tanto.Imagine se você tivesse que abandonar todas convicções que te ensinaram desde pequenininh@, e lutar todos os dias, matar leões, remar contra a correnteza e se acostumar com uma vida nova, só porque você é um pouco diferente do que as pessoas esperavam que você fosse.
Mas...A facilidade não tem graça, não pra mim.
Nesse caso, pra essa pergunta, eu respondi que NÃO, se eu pudesse mudar a minha sexualidade, não deixaria de ser lésbica.Porque além de eu estar muito bem comigo mesma, é essa luta diária, essas batalhas que eu enfrento pra que um dia a sociedade nos aceite como um todo que me enchem de novas esperanças.
Se a "medida do amor é amar sem medida", porque o amor hetero normativo pode e o meu não?
Continua sendo amor, gente!
E eu não estou agredindo ninguém.Só que eu penso que se a sociedade nunca tiver contato com essas formas de amar, nunca vai se acostumar, entender, respeitar, aceitar.
Eu tenho a consciência de que não estou fazendo nada de errado mesmo!
E um dia todo mundo vai perceber que não existe diferença entre quem eu amo, ou quant@s eu amo, se é ao mesmo tempo ou não, assim como vão deixar de ter pena de pessoas com necessidades especiais e vão passar a admirar as suas superações, assim como um dia vão perceber que a cor da pele de uma pessoa não interfere em nada no seu caráter e/ou na sua conduta, assim como um dia todo mundo vai perceber que um Deus não é melhor ou mais poderoso que o outro e que, no fundo, no fundo, são todos um único Deus.
Um dia a sociedade vai perceber que cada um tem suas particularidades, mas que não é nenhum absurdo conviver com pessoas tão diferentes entre si.
Nesse dia a palavra "RESPEITO" vai sair do dicionário e vai pras ruas.
E é nisso que eu acredito.Que todos deveríamos acreditar, mas cada um a seu tempo, seu modo.
Então...Não faz o menor sentido eu querer mudar alguma coisa em mim que não seja a cor do meu cabelo (porque eu não sou ruiva natural, mas me considero uma "naturalizada").
É isso que me move a lutar todos os dias contra um preconceito bobo que foi fundamentalizado ao longo de milênios e que nos acusa de disvirtuantes da moral e bons costumes, como se fôssemos uma grande novidade.Novidade essa que existe desde a grécia antiga, mas sempre foi marginalizada.
O que é difícil de fazer entender é que somos gente.
E que não somos imorais ou pervertidos.
Não corrompemos pessoas.
Não somos rebeldes (muito menos sem causa).
Não somos nada diferente daquilo que os hetero normativos são, em caráter e personalidade.
Apenas amamos pessoas do mesmo sexo e se é isso que nos deixa feliz, porque é que temos que mudar e trocar a nossa felicidade pela felicidade preconceituosa de um bando de gente que nem conhecemos?
Isso é que não faz o menor sentido pra mim.
Se você é homossexual, bissexual, travesti, transgênero, e ainda tem medo por causa de ataques e agressões das pessoas lá fora do seu armário, eu faço um convite que se retire desse comodismo imadiatamente.Nunca é fácil se assumir, se aceitar, levar isso a conhecimento da família, dos colegas de trabalho, pessoal da faculdade, e as outras pessoas no seu contexto social.Mas ninguém vai morrer porque você disse uma coisa inesperada.
Quanto mais gente lutando, lado a lado, maior será a nossa força.Todos saem ganhando.
Quem imaginou uma discussão tão grande a cerca do PL122 - Lei contra a Homofobia?
Quem imaginou casais homossexuais adotando crianças?
Isso só aconteceu depois de muita luta.Infelizmente algumas vidas foram perdidas e pessoas ficaram impunes por esses crimes, mas não é o fim.
"Podem até matar uma ou duas flores, mas não podem impedir a primavera" - Che Guevara.
E...Se você é heterossexual, normativo ou não, pense bem antes de rotular, agredir, difamar pessoas que você pode até não conhecer, mas não tem direito de julgar e/ou condenar por causa das suas diferenças.Somos seres humanos, de igual valor, e temos emoções, somos feitos de carne e osso e vivemos na mesma sociedade.
Não pedimos sua aprovação nem o seu silêncio.Queremos respeito.Também somos gente.
Apenas isso.