sábado, 27 de agosto de 2011

Deixa

- Ela quer você. Já deu todos os indícios.
- Aham.
- Só isso? Não vai tomar atitude nenhuma?
- Não. Nunca soube fazer isso.
- Vai dizer que você é tímida?
- Não.
- Então não sabe chegar?
- Não...
- Não tá afim?
- Nãããããããão...
- Tá triste?
- Não!
- ENTÃO O QUE É, PORRA??
- Não sei usar.
- Usar o que?
- Alguém, um sentimento, um momento, a carne, sem compromisso, sem responsabilidade, assim, só por prazer, só por casualidade. Não sei usar.
- Ela foi embora agora...
- É, mas amanhã ela volta. Ela sabe onde me encontrar. E vai me procurar de novo, vai flertar comigo, vai me seduzir, vai me instigar, me convidar com aqueles olhos de leoa faminta, vai caminhar na minha frente como quem cerca a presa, vai chegar perto pra eu sentir o cheiro dela, vai me olhar bem dentro dos olhos e quase encostar nossas bocas, depois vai virar as costas, esperando que eu a siga.
- E você não segue.
- Claro que não.
- E também não corta de uma vez.
- Lógico que não!
- Você tá de brincadeira com ela...
- Não, é o contrário.
- Como você sabe?
- Porque ela me quer. Já deu todos os indícios.


Ás vezes é melhor deixar assim. Pra que falar? As coisas tem seu próprio curso na vida, é só deixar que cada uma delas siga o seu. Quer amar? Ame. Quer querer? Queira. Quer arder? Arda. Quer tentar? Tente. Quer seguir? Siga. Quer parar? Pare. Quer chorar? Chore. Quer viver? Viva. Nenhuma dessas coisas e muitas outras precisa de autorização pra acontecer.
É só seguir o fluxo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Uma mente cheia de...

TUDO!
É impressionante querer escrever e não fazer ideia de que, só me deixa mais e mais agoniada.
Quero falar da homofobia, das pessoas novas que conheci, da fé na vida e em mim que redescobri (mas sem parecer piegas nem discurso de livro de auto-ajuda), de amigos que cultivo e vez ou outra me surpreendem, de como eu queria entrar numas aulas de dança de salão pra dançar ritmos latinos, de como eu tô com saudade do jongo Folha de Amendoeira, de como eu queria viver na década de 40/50 do século passado em Mississipi, ou Georgia, ou Chicago, ou qualquer outro lugar cheio de clubes de blues e jazz, escondidos em qualquer porão, com jogatinas e mafiosos apostando, com suas donzelas...Como queria ser eu a cantora da noite, sentada em um piano, flertando com todos, fumando em piteira e bebendo um conhaque oferecido por um dos rapazes da platéia.
Como eu queria poder descrever uma luta de boxe de Mohamed Ali, ter medo da Cosa Nostra, ver Alcapone e seus capangas aterrorizando toda a cidade, sem nunca serem pegos.
Acho que só estou meio Blue. Amor é Blues... Calor é Blues... Frio é Blues... Falta de dinheiro é Blues... Alegria é Jazz.
Fiquei um tempo bom pensando nisso... Na exposição do Miles Davis que fui ver no CCBB, nas músicas, na doideira da época, nas drogas dos artistas, dos artistas das drogas. Viajei no tempo, e quando vi tava lá pensando em Janis Joplin e Jimi Hendrix.
Sempre tive essa veia musical exagerada. Na hora de fazer poema, de fazer música, de cantar, de subir num palco ou ficar numa quina de parede num boteco me mostrando e distraindo os ouvidos de todos. Sempre muito prazer em beber da noite, em me satisfazer com essa boêmia. Acho que é porque parece ser a única forma de extravasar essas inspirações que me acometem desde a adolescência. Me sinto meio Billie Holliday. Mas antes a influência era o rock, era um respingo da geração revoltada dos desmandos e falcatruas do governo. Uma geração que ainda gritava muito e que mobilizada multidões, sem facebook, tumblr, twitter, orkut, blog, etc... Era gostoso acordar pro colégio ouvindo a Rádio Cidade ou a Fluminense tocando um Whitesnake, um Ozzy, um Iron... Mas essas rádios acabaram, e eu fui apresentada ao Blues, ao Jazz, ao Samba, à Bossa Nova, aos Novos Baianos, e um monte de gente que me fez despertar pra um outro mundo. E foi aí que eu descobri o que era expandir seus horizontes. Entendi "the doors of perception" e o nome da banda também. Me juntei a um seleto grupo de jovens que eram tão NERDs quanto eu e que estavam descobrindo um mundo. Estávamos lendo Noite na Taverna, Dom Casmurro, O Cortiço, 1984, Revolução dos Bichos, Don Quixote... Estávamos discutindo essas coisas, e parecíamos querer disputar quem queria saber mais. Éramos uns dementes, que boicotavam o colégio, desparafusando cadeiras, cortando fios de telefone e provocando curtos-circuitos pra queimar bebedouros, enceradeiras, computadores, etc... porque não nos deixavam ter um grêmio, ou algo parecido. Porque as mensalidades eram altas e, apesar de sermos bolsistas, não concordávamos MESMO com os valores. No fundo, a gente só queria reclamar.
Nessa época aprendemos a beber, a fumar, descobrimos o que era maconha... E achávamos tudo muito colorido, diferente e aquilo nos fazia criaturas más, respeitadas. Colocar fogo em um quiosque de palha no colégio foi o ápice. Éramos NERDs e éramos maus. Acabamos com o bullying.
Queria escrever mais sobre essas coisas, mas toda vez que tento expor uma parte dessas memórias, minha mente embola, e começo a pensar em como eu queria ser feliz de outra forma, nas minhas crises de consciência, na minha "culpa católica" que faço questão de carregar e não consigo mesmo abandonar.
Esse negócio de pensar muito pra escrever nunca foi minha praia. Os textos têm que ser furacões, tem que ter vida, força, magia...E não tem que ficar corrigindo muito, nem ajeitando toda hora, substituindo frases, palavras, verbos, adjetivos. Afinal, você tá querendo escrever mesmo ou tá querendo esculpir uma ideia? Nunca gostei dos Parnasianos. Adoro os Românticos, Simbolistas, Modernistas...Mas pára por aí, porque de pós-modernidade minha cabeça já anda cheia. Falar pós-moderno parece xingar a mãe. É quando você ouve ateus respondendo "Deus me livre".
Essas coisas que me preenchem e que me inquietam são tão fortes, tão viscerais, que eu nunca sei sobre o que eu quero MESMO falar ou escrever. Gosto de tantas coisas, e tantas ao mesmo tempo, e são tão gostosas, que nunca me decido. Acabo parecendo não ter a menor coerência... E sei lá, mas acho que a minha loucura não deve ser entendida não, embora eu quisesse muito mesmo, pra tentar achar uns loucos que nem eu e poder discutir umas ideias doidas, umas músicas de uma mente cheia de...

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Revolução

O amor é a maior revolução que poder-se-á fazer na humanidade. Uma revolução sem mortes e feridos. Uma revolução verdadeiramente pacifica. Uma revolução que compreende que existem dois caminhos pra responder a algo ofensivo: a vingança, que não te sacia e te coloca frente a baixeza de atitude do outro; ou o perdão, que te eleva e te poupa de conflitos futuros. Essa é a minha revolução, a das idéias, do diálogo e do AMOR, acima de tudo.

Tudo que é necessário, realmente, é que esse excesso de ódio espalhado na atualidade, nessa sociedade dita moderna, ou até mais do que isso, pós-moderna, se reduza a níveis ínfimos e que se converta em uma energia mais útil. É preciso que se construa novos cidadãos, com uma nova consciência. Precisa-se de uma nova juventude. Porque é dela que vai sair as novas mentes pensantes, os formadores de opinião, a massa crítica e também o senso comum de alguns anos a frente.

Não estou aqui enquanto militante, bradando frases de efeito e sacudindo bandeiras. Também não falo exclusivamente pelos crimes de ódio, como o racismo, a homofobia, a xenofobia, o neonazismo, dentre outros. Não falo apenas pela insistência em se repetir o velho padrão de submissão feminina, se propagando ainda com força com uma roupagem diferente, mais "moderna", que legitima que as mulheres esperem o homem tomar a frente e repassar essa educação à prole apenas por uma espécie de comodismo vindo da parte das próprias vítimas de tal coação, as mulheres. E não são poucas as ocasiões onde essas coisas ocorrem, infelizmente.

A mensagem é mais simples do que se pensa. Se fôssemos realmente civilizados, educados e pensantes como afirmamos, com tanto orgulho (e por conta disso nos auto-denominamos de "a espécie animal mais evoluída") saberíamos respeitar-nos enquanto seres humanos, acima, apesar e além de qualquer coisa, como etnia, gênero ou sexualidade. Ultimamente o nosso lado mais animalesco, o mais instistivo, é que tem estampado as manchetes de jornal. Mortes sem um propósito justificável, intolerâncias de todos os tipos... Em geral, o velho banho de sangue de sempre; violência, intolerância e preconceito pra todos os lados.

Não estou aqui pra enfatizar o velho e batido "amai-vos uns aos outros", embora seja uma boa verdade para os que acreditam em Deus. A mensagem é muito mais abrangente, e é tão simples, direta e objetiva que chega a ser complicado explicá-la.
RESPEITO deveria andar de mãos dadas com o BOM SENSO, mas como pedir os dois ao mesmo tempo de todas as pessoas é muito para a geração, se tivéssemos apenas um desses dois já seria o suficiente pra que a LIBERDADE andasse de mãos dadas à JUSTIÇA.A maior ironia disso tudo é que se essas palavras destacadas fossem pessoas, dado o gênero (masculino/feminino) de cada uma delas, seriam dois homens (respeito e bom senso) e duas mulheres (liberdade e justiça) andando de mãos dadas. Dois casais formados por pessoas de mesmo sexo. Imagine só se a gramática seguisse com rigidez os nossos comportamento sociais?? A comunicação certamente seria comprometida.

Então, pra não sermos injustos com a nossa língua mãe, e muito menos com outras pessoas, outros seres humanos, que tem problemas, qualidades, defeitos e sentimentos, como todo mundo, vamos repensar nossas atitudes, principalmente antes de colocar rótulos, afinal, não se trata de potes em uma prateleira, mas de indivíduos.
Antes de agir, pense.
Se não quer ser ferido, não fira. Respeite. As diferenças existem, sempre existiram e continuarão existindo independente da vontade de quem quer que seja, ou religião, ou conduta, ou valores morais próprios.

"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las" - Voltaire

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Não quero saber das razões, nem quero saber das consequências. Não quero que ninguém me pergunte nada, porque eu não tenho a menor paciência pra explicar, pra responder.

Richard Brautigan disse uma vez que "as pessoas acreditam que amar a sua alma também lhes garante direito sobre o seu corpo". Hoje eu pensei nisso. Pensei na minha despedida, no corte desse cordão umbilical entre eu e a noite, pensei em como a minha vida era feliz, despreocupada, inconsequente,carpe diem e solitária. Pensei em como minha vida vai ser enfadonha, previsível, organizada, rotineira e solitária.

Odeio essas regras, esse sistema, essa vida pequeno burguesa chata pra caralho... Odeio ter que trabalhar e dizer sempre "sim" pra um cara hierarquicamente acima de mim, que detém os meios de produção e que é o responsável pela minha necessidade de acúmulo de capital e consumo de bens, de produtos e de tempo.

Odeio a necessidade de terminar um curso superior, e que eu tenha prazo pra isso, e a necessidade de ficar aqui, pra que isso termine. Eu gosto do que estudo, e vou amar muito minha profissão, mas odeio ter que ficar aqui 5 anos, parada, sem arriscar. Preciso conhecer outros mundos, outros lugares, outras pessoas.

Não quero viajar com data marcada pra voltar, não quero ter validade pra explorar, pra ser feliz, seja lá como eu escolhi ser. Não tô falando de amores, de sexo, de paixão... Foda-se o amor, na verdade. A gente só quer segurança, na verdade. A gente se identifica com alguém e projeta nele uma vida inteira de sonhos, planos e frustrações. Eu quero mais do que isso.

Quero me livrar desses conceitos mesquinhos e egoístas de monogamia, poligamia, casamento, civismo, politicamente correto, pacifista, tolerante... Por que existem palavras impublicáveis, "indizíveis", como aborto, incesto, pedofilia, sadomazoquismo, satanismo, ateísmo, estupro, aberrações da natureza (pessoas que nascem com 3 braços, duas cabeças, etc)? POr que não se pode tocar nesses assuntos? Todos somos um pouco bestiais, impossível controlar essa besta o tempo todo, uma hora ela sai, por um instante que seja. Opressão não resolve nada. Odeio isso, essas convenções, essas bobagens irrelevantes... Odeio controle.

E o que eu mais detesto e execro é reconhecer a necessidade desse controle. Essas regras malditas.

Sem elas tudo é caos, tudo é escória, tudo é barbárie, tudo é intenso, desinfreado, tudo raso, tudo luminoso... Muito sexo, regado a um verdadeiro banho de sangue.

Quando não é a violência, é o sexo, e uma começa quando a outra acaba, praticamente. O sexo é quase o objetivo final de felicidade, e o dinheiro também. Com dinheiro se compra sexo e companhia, mas não compra amor nem amizade... E depois que a ficha cai, a consequencia é a fuga, e pra acabar em violência não custa nada.

Escrevo, desordenadamente, com ódio.

Porque estou indo embora: em boa hora. E porque preciso ir, não quero, mas me sinto bem de ir, quando na verdade uma grande parte de mim só quer ficar e apodrecer aqui, nessa mesmice provinciana rodeada pelos ecos de idéias repetidas desse espírito acadêmico limitado pseudo-revolucionário que se espalha por toda a cidade.

Minha alma é livre, e meu corpo não comporta toda essa liberdade. Mesmo que eu a manifeste, ainda asism, será insuficiente. Se apenas contê-la é possível, então continuemos assim, por mais que eu deteste a stuação.

Talvez eu já não saiba mais o que estou falando, ou talvez não tenha a pretensão de saber.

Não querer explicar faz parte do plano.

Só quero curtir e ficar sozinha.

domingo, 26 de junho de 2011

Complicado.

É, hoje também foi mais um dia difícil.

Acordei do lado de uma mulher que me ama, e vagamente me percebi pensando em outra. Como eu queria que isso acabasse logo!

Namorei uma que, em crise, praticamente me ignorou e resistiu se entregar a mim por um bom tempo. Acho que meu jeito louco de ser ajudou um pouco pra que isso acontecesse. Bem, o fato é que eu tinha certezas, eu sofria, eu amava loucamente, eu fazia planos, pensei em casar! Mas aí tive muitos problemas que se embolaram, cresceram e só tranformaram a minha vida em um céu cinza, um sentimento de vazio e perplexidade como o fim de um genocídio, uma depressão que, por mais irônico que possa parecer, era causada pelas pessoas onde eu deveria ter encontrado forças pra me apoiar. Fiquei sozinha um tempo, preferi me lamentar da vida, curtir uma boa inércia, uma fossa. Tinha descoberto que pra quem não se adapta, existe a noite, a marginalização, vícios dos mais variados posíveis, labirintos e ciladas. Entrei em todos. Me enfiei em um novelo.

Aquele amor, que parecia tão forte, tão certo, agora estava completamente jogado às traças, envelhecido, empoeirado, na verdade desfeito. Esqueci que ainda amava aquela mulher incrível que me despertava tantas coisas, me fazia admirar e me provocava uma incerteza e uma angústia que não podem ser descritas.

E um belo dia... Eu tive uma miragem. Que era real, infelizmente.

Era a menina da sala de prova, de um ano e meio atrás, que sentou perto da janela, que deixava que o sol fizesse os cabelos dela (na época longos) saírem do castanho claro pro loiro, a dona do sorriso (mais) lindo. Ela me reconheceu. E eu achei que tinha ganhado na megasena acumulada. Começamos a conversar e fui me envolvendo, pela voz, pelos olhares, pelos gestos, pelo joguinho de sedução... E eu não aguentava mais ficar naquilo. Pedi pra que ela me acompanhasse ao banheiro. Não, não era banheiro, era o espaço entre dois carros em uma rua escura, porque o bar não nos permitia entrar a menos que pagássemos um couvert de 10 reais, ou seja, impossível pra realidade de universitários fudidos que saem pra beber com apenas 5 reais no bolso, ou nem isso. Fomos, primeiro eu, depois ela, e aí eu pensei “por que não? É óbvio que ela é lésbica!” e a partir desse raciocínio sugeri de ficarmos conversando perto dali, naquele escuro, o que foi acatado por ela, sem mais. No meio da conversa eu me arrisquei. Fui ousada pela primeira vez na vida em relação a uma mulher, na verdade, a uma ficada. Não sei chegar em mulher, nunca fiz isso, nunca foi preciso, e eu nunca quis tanto... Disse que estava morrendo de vontade de beijá-la, e deixei tudo desconsertante. Ela deu uma resposta meio blazè, como quem não queria responder, meio com vergonha, meio dizendo que sim... Então eu sorri e segurei seu rosto em minhas mãos e disse “já entendi”, beijando aquela boca tão desejada em seguida. O beijo foi incrível, senti fogos de artifício dentro de mim. Fazia tempo que um beijo não encaixava tão perfeitamente como aquele. E eu só conseguia pensar “uau!” e logo depois “quero mais”. Ficamos ali nos beijando por algum tempo. Deu pra reparar que somos da mesma altura, que os movimentos que a língua dela fazia na minha boca eram deliciosos e inevitavelmente eu pensei como experimentar aquela boca no resto do meu corpo deveria ser algo simplesmente maravilhoso. Reparei também no cheiro dela, no formato dos dentes, em como sugava meus lábios, e qual caminho que as mãos dela faziam pelo meu rosto, pela minha cintura, costas, pescoço, como segurou a minha nuca, enfim... estava em êxtase.

Naquele momento eu reconheci uma armadilha. Porque, como se um botão tivesse sido acionado, alguma coisa começou em mim, e isso não é conversa de gente romântica e sonhadora não. Depois disso dormimos juntas, passamos algum tempo juntas, ouvimos música juntas, cozinhamos juntas, andamos de bicicleta juntas, almoçamos com um casal de amigas dela, que hoje considero minhas também (e é uma das coisas mais incríveis que aconteceram desde que eu a conheci, ela realmente une amigos ao meu redor). Era uma paixão, uma coisa completamente louca, insana, e sem controle que estava se apoderando de mim. E eu não tinha sequer começado a conhecê-la.

Depois disso tivemos muitas conversas sérias, sempre eu ouvindo um sermão básico, e sempre me sentindo um lixo, aquela angústia que a gente sente quando percebe que a pessoa que a gente gosta tá insatisfeita que vem com um pensamento de “putz, fiz merda...” e eu nunca falando nada. Na verdade depois das conversas eu mudava, sempre atendia os pedidos dela. Ela quer ser livre, e não ter nenhum tipo de compromisso e/ou responsabilidade, quer se jogar, curtir, mas não quer ser intensa, quer ser gradual, porque se sente atrelada à sua ex de alguma maneira ainda e é forte demais pra ela simplesmente ignorar. Ela diz que não acredita em monogamia, que não está apaixonada por mim, e que qualquer tipo de relação formal ou informal a assusta, porque rotina não dá certo pra ela, ela odeia esperar que algo aconteça, não quer nada que não seja imprevisível, como ela. Ela é inconstante, é incontrolável, completamente louca e aleatória. Ela está aqui agora e daqui a um piscar de olhos já não está mais. Ela tem muitos amigos e confia em todos, o que nem sempre é bom, mas ela permanece nessa crença, porque é a crença dela. E disso não se pode duvidar, ela sabe ser amiga. A melhor e a maior amiga que você pode ter na vida, mas não conte com ela se não estiver com ela. Porque ela é escorregadia, ela não tem celular, não para em casa, não gosta de excesso de procura, adora a casa cheia mas anda sem saco de abrir o portão pros 357 amigos íntimos que tem. Faz tudo de bicicleta, se bobear até tomar banho, e usa shampoo de criança pra lavar o pouco cabelo, agora curtinho, que ostenta. Tem uma rede extremamente confortável, malabares, almofadas e um aquário cheio de peixinhos filhotes e outro com peixinhos dourados, dentre outros. Não pode ser chamada de vegetariana, mas também carnívora não é... curte alimentação viva, faz umas pastinhas de soja que são uma delícia e suco de luz (acho que se ela se esforçar, um dia vai acabar fazendo fotossíntese). Aliás, falando nisso, ela adora um mato, viveria enfurnada dentro de uma floresta, se pudesse, encarnaria o Mogli ou o Tarzan, se possível fosse. É virginiana extremamente bagunceira, com ascendente em gêmeos e quase bipolar, com enúmeras personalidades, por isso. Poucas pessoas sabem que o seu nome do meio é Rodrigues, e ela não sabe que esse sobrenome me faz tremer por dentro até hoje porque foi o da minha primeira grande paixão, daquelas devastadoras (como essa agora) na vida e que muito me fez chorar. Ela também tem duas tatuagens, uma um pouco assustadora, e outra que tem o mesmo significado que uma das minhas, ambas nas costas. Aliás, coincidências é o que não falta entre nós. Temos diversos, vários amigos em comum, aliás, boa parte deles.

É... Pra qualquer um pode parecer um furação, um trem desgovernado – e é, de fato – mas não pra mim. É deliciosamente perfeita. Mesmo com toda essa gama de contradições e inconstâncias. Mesmo me machucando profundamente em alguns momentos, é tão carinhosa e atenciosa comigo em outros que, sinceramente, fica difícil de desapegar. Aprendi a admirar ela do jeito que ela é... e é esse o problema. Ela me faz pensar em querer ter, e não em estar, em ser. Ela me induz ao sempre, mesmo eu querendo o agora. Eis o cerne da questão.

Eu não quero admitir pra mim mesma que estou apaixonada por ela, porque sei que ela não quer isso. Ela não quer que eu dê tudo, sem esforços. Quem me conquistar, quer me provocar, quer me enlouquecer (e consegue). Ela me faz perder o juízo, confesso. E desse jeito eu não páro de pensar nela um dia sequer, e entendo e aceito essa minha condição de bom grado. Se é o que posso ter, prefiro isso a não ter nada, nem a amizade dela, nem os ouvidos, nem os abraços.

Até então... Qualquer um pensaria “qual é o problema dessa louca? Ela se apaixonou por uma mulher livre até da liberdade, mas entende e aceita isso... então, qual é a dela?”. Então... Lembra da minha ex, né? Aquela mulher que eu amei, e que não se entregava, fugia de mim, dos sentimentos, da realidade, não dizia “eu te amo” ou “senti sua falta” e só falava que gostava de mim quando eu pertubava muito, etc. ELA VOLTOU. E voltou disposta a tudo, disposta a me assumir, a mudar, a fazer planos comigo, a casar, ter filhos, dizendo que me ama e muito, e que sente horrivelmente a minha falta e que não quer mais sair do meu lado e não vai me deixar fugir nunca mais. E, sinceramente, ela está me envolvendo, mexendo deverasmente comigo. Impossível resistir a uma mulher que ainda habita meus pensamentos se jogando aos meus pés, exatamente como eu fazia com ela, como eu sempre quis que ela também fizesse comigo.

O problema é trocar alianças, estabelecer um relacionamento sério, sem falar pra ela dessa outra que eu conheci e que me revolucionou por dentro. Seria ótimo que a que eu conheci depois estivesse tão perdida de amores como a minha ex/atual. Ou se nenhuma das duas existisse mais na minha vida. Não quero ter que escolher, quero as duas, e quero muito... Quero a vida ao lado da minha ex/atual, mas quero o furor da paixão, o frio na barriga e a tensão sexual que sinto com a mais recente.

Quero parar de pensar na recente quando estou com a antiga. Quero não me sentir culpada pela antiga quando estou com a recente. Quero os beijos, as mãos e o ardor sexual da recente no corpo e na experiência da antiga. Quero o carinho e os olhares muito sinceros da recente no amor que a antiga diz sentir. Quero a leveza, a liberdade, os sorrisos, as afinidades da recente nos momentos a sós incríveis e cuidadosamente planejados da antiga.

Eu realmente não quero escolher, não quero essa exclusividade, sei que dói na minha atual, mas dói em mim também. Queria poder me dedicar e me entregar a essa relação em 100% mas não consigo, não agora. Estou esperando me desiludir da outra, tentando não encontrar com ela, mas temos muitos amigos em comum, frequentando os mesmos lugares, quase todos... Eu inevitavelmente busco os olhares dela, e ela os meus, de alguma forma, se os percebe. Eu sou uma imbecil por fazer uma mulher, uma boa garota, que mantém a conversa polida e decente, que quer habitar a minha cama todas as noites e manhãs e quer um mundo seguro ao nosso redor, SOFRER. Não quero isso... Quero tomar um rumo da minha vida, me reerguer, me recuperar da bagunça que a minha vida virou esse primeiro semestre de 2011, e tentar ficar bem com ela... Mas não dá, simplesmente, há algo que me puxa, me arrasta e me empurra pra outra. É algo irracional e completamente avassalador, e que se eu não controlar, vai me fazer sucumbir, mais cedo ou mais tarde. É bem verdade que a recente me ajudou muito a ver as coisas de uma forma mais clara, honesta, e quase decente, e me fez querer se uma boa garota também, mas não posso sê-lo do lado dela, e muito menos quero cair do erro de esperar por ela, porque é o mesmo que esperar por algo que não vem, e eu sei que não vem. Se eu ficar com ela, vou perder um porto seguro que muito me encanta, respeita e ama, que é a minha atual.

Nunca me imaginei nessa situação: amando uma e apaixonada por outra. Com a mesma fúria e a mesma precisão cirúrgica.

Não desejo isso pra ninguém... Porque eu sei que desabafar isso com alguém é inviável, e escrever é a única coisa que me faz sentir um pouco melhor. Mas eu PRECISO publicar. E publicando eu sei que vou me prejudicar, de alguma maneira, mas era a única solução. É um jeito de desabafar e confessar ao mesmo tempo, de forma segura e objetiva.

Me desculpa, namorada. Acredite, eu te amo... Se não te amasse, não daria a mínima pro que você sente e não desejaria tanto consertar logo essa situação. Quero tocar minha vida, juro, mas no momento tá difícil. Não me deixa fraquejar, por favor. Sei que qualquer um que possa vir a ler isso vai dizer que sou uma cachorra, que eu não presto. Mas você sabe que não é assim. Sou louca, sou intensa, puramente romântica e sonhadora, daí a minha dificuldade de descartar essa menina da minha cabeça, do meu imaginário.

Namorada...só me perdoa. Por favor. Em algum momento.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Acreditar? Não...

Em que você acredita?

Em um Deus, em uma religião, em uma alucinação coletiva ou em forças místicas superiores e inexplicáveis que te fazem eximir a sua culpa com boas ações ou pedidos de desculpa a sei lá quem (ou o que) e que te fazem surtar em sua própria auto-crítica e mergulhar em um sentimento de que você, de alguma forma, vai prum inferno, ou qualquer outro lugar parecido onde padecerá ou como alma ou como corpo, ou como bicho, ou como uma corrente de energia desforme.

Acreditar em natureza, em equilíbrio natural, em justiça, em alguma coisa que te faça ver que toda a injustiça e sacanagem que acontece na sua frente, de alguma forma, tem que ser punida e que todas as feridas que já abriram na sua vida, no seu peito, na sua memória, de alguma forma vão cicatrizar e através de algum mecanismo desconhecido você será vingado.

Acreditar que a gente tem a incrível escolha de ser feliz e que a gente fica triste quando quer e porque quer... O que é, obviamente desdito por você mesmo quando alguém te faz sentir como um débil mental, e você só quer chorar e ficar em posição fetal por uns tempos.

Acreditar em feng-shui, em medicina ayurvédica, em kabbalah, em yoga, e achar que porque uma poltrona de cor diferente em um lugar diferente vai mudar completamente a sua vida, ou que ingerir altas doses de mel e gengibre vai te purificar e te afastar de doenças, ou controlar sua respiração e equilibrar o peso de todo seu corpo no dedão do pé e achar que dessa forma você estará são e saudável por todo o sempre.

Acreditar que sorte existe e vc tem muita e se sentir o máximo, ou ter nenhuma e se sentir um imbecil, ou ter uma moderada e se sentir afortunado apenas o necessário e na hora certa.

Acreditar em signos, em ascendente, em lua, em planeta regente, em elemento e resolver todo o futuro de uma pessoa com um mapa astral que diz o que ela é, o que foi e o que pode vir a ser com a exatidão doentia de quem tem o poder de decidir sua vida.

Acreditar em cartomante sem nem saber o que aqueles símbolos esquisitos com características medievais querem realmente dizer. Ou em cristais e achar que uma pequena pedra de cor meio rosa, meio vermelha vai abrir seu chakra coronário e assim você ganha disposição em dobro, ou em búzios e achar que um monte conchinhas viradas ou não vai te dizer o que fazer, ou borra de café que te faz pensar nesse líquido mágico que todo brasileiro adora, que pode ser até uma poção da juventude.

Acreditar em copo d'água, compasso, poltergeist, terapia de vidas passadas, e afins, que dizem ser o espírito de Getúlio Vargas, ou Emmanuel, ou que você foi Cleópatra em outras vidas, em outros mundos... Haja imaginação!

Acreditar na ciência, em fórmulas, leis, teoremas e axiomas que fazem sua vida virar um manual de produto eletrônico, uma receita de bolo, uma tese de dooutorado e que no final, existem muitos fatos, muitas verdades, mas uma certeza, que você, na sua ignorância mais profunda de vão filósofo desconhece.

Pra que acreditar em tanta parafernalha, se quando você acredita em uma pessoa, que é algo bem mais simples que todo esse aparato sobrenatural pra massagear seu próprio ego, ainda assim não tem certeza de nada sobre ela?

Quanto mais se acredita em tudo, mais se tem medo da morte, da punição, do destino (se ele existe), do acaso (se ele existe), enfim, de viver.

Acho que só dá pra acreditar, e com ressalvas, em si próprio.