terça-feira, 9 de novembro de 2010

Clarissa e Roberta

A ânsia de Roberta era inquestonável, pela forma como saiu do carro.Quase quase tranca Clarissa lá.
Foram ao apartamento de Clarissa, estava uma belíssima tarde.O porteiro estranhou, fatalmente contaria às vizinhas e vizinhos.Clarissa teria percebido se não estivesse tão absorvida pelos passos de Roberta, sempre a sua frente, sempre a guiá-la, e Roberta não via a hora de sair daquele elevador direto pro apartamento da única mulher, na verdade a única pessoa, que a teria tocado de forma tão densa, tão marcante. "Por que eu não fiquei com ela antes? Por que? Burra! Agora vai ser tudo mais difícil" pensava Roberta enquanto entrava às pressas no elevador, e esperava impaciente por Clarissa e depois, pronto, o botão pressionado do 4º andar se acente e a porta do elevador então se fecha, e a agonia diminui um pouco mais, na proporção em que a tensão aumenta.

Chegam ao andar, andam mais uns pasos, 402.
- As chaves... - Clarissa procura, quase desesperada, na bolsa de pano de sempre, quando sente Roberta a abraçando por trás, colocando a mão bem devagar em seus bolsos da frente do short e tirando de um deles o pequeno molho de chaves.
- Aqui. - respondeu Roberta, em um sussurro ao pé do ouvido de Clarissa, que a tinha arrepiado completamente.Roberta já tinha passado pelos esquecimentos de Clarissa muitas vezes e sabia que ela sempre colocava as chaves nos bolsos, e mesmo assim, nunca se lembrava.
Tomando as chaves em sua mão, Clarissa abriu rapidamente a porta daquele pequeno apartamento.Assim que abriu, Roberta entrou tão rápido que quando se deu conta, estava em sua frente, mas do lado de dentro, movendo para Clarissa aquele corpo levemente moreno contido em um vestido bege, aqueles cabelos cheirosos e ondulados tocando aqueles lábios lindos, carnudos, expressivos, como o belo par de redondos olhos castanhos que a fitavam com uma expressão de urgência.
Clarissa deixou seu corpo pesar e só ouviu o barulho da porta se fechando em suas costas, enquanto a mulher que lhe tirava toda a inspiração indo embora um dia, estava ali novamente.Se virava, com um ar felino, como quem combina sensualidade e perigo, olhando fixamente em seus olhos.Clarissa chegou a achar que estava enchergando em slow-motion, mas ainda tinha rapidez suficiente para trancar a porta e largar a bolsa de pano em qualquer lugar.
Roberta sorriu.Tinha sentido um frio na barriga por aquele momento, tinha o imaginado algumas vezes, nunca exatamente como estava acontecendo agora.Estava surpresa, anciosa, aflita, uma miscelânia de sentimentos que só instigavam mais o prazer dela sob a outra ali, que agora estava vindo em sua direção, arrancou o tênis, menos um passo, o outro pé, menos outro, aí só tinha um palmo de distância no meio daquele megnetismo todo.Roberta abandona suas chaves no chão e se joga nos braços de Clarissa, que corresponde.
Mãos na cintura, pescoço, carinhos no rosto, sorriso bobo, os olhos se perderam, tudo parecia inacreditável, um sonho.Tanta coisa pra dizer, mas nada deveria ser dito, ninguém deveria desmerecer aquele momento grande demais pra palavras.
Clarissa estava imersa no sentimento que vinha lhe percorrendo corpo afora, colocou as mãos por baixo do vestido, sentiu a calcinha pequena que Roberta costumava usar, permaneceu explorando aquele corpo familiar, levantando cada vez mais o vestido, até tirá-lo.Roberta se lançou em beijos no pescoço de Clarissa, colocando as mãos embaixo da camiseta, subindo, se desvencilhando do sutiã inútil, logo a blusa foi menos um obstáculo e o sutiã também facilmente removido.Clarissa foi levando o corpo de Roberta pra cama, e lá jogou a morena, que a olhava pedindo que aquela espera terminasse.Clarissa tirou o próprio short, junto com a calcinha, e nesse momento Roberta suspirou, porque percebeu a beleza daquele corpo novamente, aquela pele branquinha e macia, delicada como porcelana.
Naquele momento fechou os olhos e sentiu o corpo de Clarissa em cima do seu, lento, e sentiu o cheiro dela, e se percebeu molhada, quando a coxa dela encaixou-se no meio das suas pernas.Então beijaram-se perdidamente, como se o tempo não existisse mais, um beijo molhado com leves sugadas de lábio de Clarissa, e algumas chupadas de língua e mordidas leves de Roberta, querendo provocar mais.
Os beijos desceram para o pescoço, uma parte da numa, um poquinho do queixo, e desceram um pouco mais, e aí Clarissa sorveu o bico daqueles delicados mamilos e adorava ouvir a respiração de Roberta começando a ficar ofegante.Os seios de Roberta eram lindos, redondinhos, nem grandes demais, nem tão pequenos.Cabiam nas mãos de Clarissa e ela adorava pegá-los, enquanto chupava um, acariciava outro, e podia ouvir um ensaio de gemido vindo de Roberta.
Era hora de continuar descendo com os beijos, e assim foi.Beijando a barriga, o umbigo, e então a virilha...Nessa hora Clarissa sentou-se de frente para Roberta, encaixou as suas pernas nas dela e a levantou, fazendo com que o corpo das duas estivesse bem colado.Roberta entendeu o que Clarissa queria fazer, ela queria que as duas se sentissem mais, que gozassem juntas, olhando uma nos olhos da outra, as duas se estimulando, se provocando, matando as saudades das sensações dos desejos.
Assim, sentadas uma de frente pra outra os carinhos recomeçaram, e então Clarisse rompeu o silêncio:
- Você vai sumir de novo antes que eu perceba?
- Não dessa vez.
- Não quero me consumir de novo à toa.
- Não vai.
- Quero entender ainda o que aconteceu antes, pra você ter desistido, mas... Depois de terminar o que começamos.
- Hahaha...Certíssima!
Clarissa beijou Roberta com mais vontade ainda, e Roberta gostou de sentir a língua dela invadindo sua boca daquela maneira tão incisiva, como se disputasse com sua própria língua aquele espaço.
As duas passevam suas mãos pelo corpo da outra, um verdadeiro balé sensual.Até que se tocaram onde tanto esperavam, e sentiram-se molhadas, pela espera e pela vontade, mais molhadas do que imaginavam estar.
Os beijos tinham algo de apaixonados, mas um certo grau de necessidade, e seus toques pareceram mais delicados num primeiro momento...Mas Roberta não se deteve muito tempo massageando o clitóris de Clarissa, passou a penetrá-la com força, com vontade, e Clarissa se sentiu convidada a fazer o mesmo.
Elas gemiam, gritavam, se contorciam de prazer, tentavam manter suas bocas ocupadas, mas a sensação de prazer era tamanha que não conseguiam mais controlar seus corpos, os músculos começaram a enrijecer, a respiração mais ofegante, gemidos mais altos, mais finos, e suas mãos não paravam aquele ritmo frenético de entra e sai, gira, mexe, mais fundo, mais rápido, mais forte, e mais alguns minutos depois, acabaram por desfazerem-se em êxtase, finalmente.
Clarissa olhou nos olhos de Roberta, como quem admirasse a Monalisa ou qualquer obra de arte do mesmo porte.Roberta deitou, e trouxe o corpo de Clarissa pra junto do dela.
- Fazia tempo que não me sentia tão bem assim... - disse Roberta.
- Se te fez falta, por que então...
- Não foi culpa sua, foi minha.Eu não ia ter coragem pra assumir isso. - interrompeu Roberta.
- Por que, então, ficou comigo e me fez acreditar que ia dar certo? E se não tivéssemos nos visto na Livraria, você estaria aqui?
- Na verdade eu tinha passado na Livraria pra comprar alguma coisa pra você e depois vir te visitar.Tenho pensado muito no que aconteceu.E achei que se você percebesse isso provavelmente me acharia uma idiota.
- Roberta, a gente viveu coisas muito intensas em muito pouco tempo, eu sempre tive a impressão de que ficou alguma coisa.E você ainda não respondeu por quê não ficou comigo antes.
- Eu...Faltavam 3 semanas pro meu casamento.
Clarissa sentiu sua gargante se fechando.Aquela mulher ali se colocava como heterossexual e era casada.Cada vez mais via como seria impossível ficar com ela, que era uma tolice sem tamanho ficar alimentando esses sonhos.
- E por que me visitaria agora?Seu marido sabe disso?
- Não tenho um.
Aquilo soou como música nos ouvidos de Clarissa.

(continua)

Um comentário:

Érica disse...

Fui transportada para o quarto do pequeno apto e assisti duas mulheres se amando de forma envolvente e fascinante... não preciso dizer mais nada... apenas: deliciosamente provocante.