terça-feira, 23 de dezembro de 2008

À Lara...Laríssima.

E, prestando homenagens, novamente, estou eu aqui, dedicando meus próximos devaneios - sim, porque são apenas tentativas de poesia, assim como eu sou tentativa de poeta - a uma pessoa unicamente especial pra mim: Lara.
Que me chegaste como quem chega do nada, que me cativaste como quem quer se isolar, que me tornaste amiga como quem quer ser só solidão...e assim foi que eu me apaixonei a segunda vista, porque a minha primeira impressão foi a mais distante, respeitosa e esquisita: "Ó...A filha do Danton!"
E como as saudades eram muitas e de tanto me incomodarem...Vim por impulso lhe escrever uma coisinha.Não é ouro, nem prata, mas são versos simples, que saíram de uma vez só, sem maiores esforços ou trabalhos com a chata da métrica.Valem um abraço e um beijo na testa e outro no pulso.
E assim, nessa meiguice humilde, espero que deleite-se com o poemeco que te fiz.
Não é qualquer um que tem um desses não, viu?

“Os olhos que te observam ao longe choram porque ouvem o teu silêncio ao tocar a tua ausência.” - Tati Soares.

Azularazul

Sinto em ter que ir agora
Mas assim me ordenaram os olhos
O corpo se recusa a obedecer, eu sei...
E aqueles diálogos de perder se acham
Nas minhas memórias tão esquisitas
Tão distantes
Uns verdadeiros, outros que nunca aconteceram,
E alguns mais que foram cuidadosamente modificados
E assim vou viajando, tentando reconstituir cada pergunta
Uma mais embaraçosa do que a outra,
Como no poema:
- E você? Por que desvia o olhar?
- ... (Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos)...
- Ah, porque sou tímida.

E foram nessas conversas,
Absorvendo as palavras com aroma de jasmim
Que saíam de uma boca de lábios fortes e voluptuosos,
Que descobri a razão de escrever
E reescrever
E re-reescrever...
Até achei que ia cansar disso um dia
Mas o pensamento se cansou de cansar.
Descobri no seu cabelo assimétrico
Um balanço manso de ventar gostoso
Todas as vezes que sentia mexer perto do meu rosto.
E nas ruas roupas pretas com detalhes de metal
Um cadeado ao peito que não tinha chave
Um convite implícito a tentar a sorte.
E depois de alguns meses – os primeiros
As máscaras caem...
E as suas perguntas continuaram, me torturando e me instigando
Naquele mundo limitado, que tinha hora pra nossa despedida
E era pra mim o paraíso poder sentir o som da sua voz.

Nasceu a Musa...
Aquela que não deu pra recusar
Nem evitar de chegar perto
Aquela que tentou os olhares, e eu piscava
Tentou as mãos, e eu apertava
Tentou o beijo, e eu...fugi.
Acovardada...
A última chance,
A única desperdiçada.

Veio a distância e eu aprendi a olhar o céu
Aprendi a mergulhar no azul
A admirar os tons tristes de cinza
A me apaixonar pelos tons rosados
E a desejar os tons negros da noite.
Mas o meu favorito mesmo era o Azul...
O simples Azul...
O Azul do Céu, do Mar, das Lembranças.
A brisa e os cabelos que eu queria ver balançar
O ar que eu queria respirar
No tom que eu queria ver:
Azularazul.

Só por isso és muito.
Muito Musa,
Muito bela,
Muito poesia,
Muito música,
Muito Lara...Laríssima!

Mas, mesmo com o muito nesse tanto...
Tudo é nada se não tiver nele pintado
Aquela cor que eu queria ver
E que secasse com o ar
Que eu queria respirar:

AZULARAZUL.

2 comentários:

Tina Spin disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Azulara disse...

Você anda querendo que eu infarte, né!
Pode admitir que é isso!
Caramba, Tati!
Lindo demais, demais, demais.

Deu uma saudade de você *-*'

Obrigada, menina bonita.
Não sei se vou me recuperar disso não, mas obrigada.